Portugal vs. Espanha: Quem os investidores latino-americanos preferem?
Ao longo da última década, a Europa consolidou a sua posição como destino estratégico para o investimento internacional e o planeamento de residência. Neste contexto, dois países — Portugal e Espanha — captaram a atenção dos investidores globais. Contudo, no caso da América Latina, a tendência é clara: os investidores latino-americanos preferem Portugal.
Essa preferência se deve a fatores regulatórios, fiscais e operacionais que tornam o regime português uma opção mais eficiente para quem busca mobilidade internacional, proteção de ativos e acesso ao mercado europeu.
Fim do Visto Gold na Espanha: o que mudou?
Desde abril de 2025, a Espanha eliminou oficialmente o programa Visto Gold, que permitia a indivíduos obter residência por meio de investimentos, principalmente em imóveis. Apesar dessa eliminação, o país continua a atrair capital estrangeiro, especialmente em cidades como Madri e Barcelona, graças à estabilidade do setor imobiliário e ao interesse constante de compradores internacionais.
No entanto, a falta de um mecanismo estruturado para a concessão de residência por meio de investimento direto limita as vantagens que o sistema oferecia anteriormente. Para investidores latino-americanos que buscam não apenas ativos europeus, mas também mobilidade e residência, isso representa uma desvantagem importante em comparação com o modelo ainda vigente em Portugal.
Portugal mantém a sua vantagem competitiva
Portugal, por sua vez, mantém o seu programa de residência por investimento, embora com ajustes recentes que excluem a compra de imóveis residenciais nas zonas mais densamente povoadas. No entanto, o país continua a oferecer alternativas atrativas, como o investimento em fundos regulamentados e projetos de revitalização urbana.
Uma das principais vantagens é que Portugal não exige residência permanente: basta passar sete dias por ano no país. Isso permite que os investidores mantenham seu status imigratório sem alterar sua residência fiscal ou suas principais atividades comerciais.
Regime tributário IFICI: o novo incentivo
Embora o antigo regime de residentes não habituais (RNH) tenha sido eliminado, Portugal introduziu o novo regime IFICI (Incentivo Fiscal para Atrair Investimento e Talento Internacionais). Informalmente conhecido como “RNH 2.0”, este regime oferece benefícios fiscais semelhantes, embora mais direcionados.
O IFICI oferece incentivos a indivíduos com formação profissional, científica ou técnica que contribuem para setores estratégicos da economia portuguesa. Embora mais restritivo que o seu antecessor, continua a ser uma ferramenta útil de planeamento fiscal para perfis específicos dentro do segmento de elevado património.
Por que os investidores latino-americanos preferem Portugal?
Portugal oferece um quadro jurídico claro, um sistema bancário moderno e uma administração pública mais eficiente do que outros países da região. O seu custo de vida mais baixo, a segurança pública, o clima mediterrânico e a elevada qualidade de vida fazem dele um destino privilegiado. Além disso, embora distintas, as línguas portuguesas apresentam semelhanças linguísticas que facilitam a adaptação para falantes de espanhol.
Ao contrário da Espanha, onde já não existe um canal formal para obter residência por investimento, Portugal consolida-se como a opção mais viável, especialmente para quem procura estruturar a sua migração internacional sem alterar a sua residência fiscal.
Investidores chilenos: uma tendência marcante
O comportamento dos investidores chilenos é um caso emblemático na região. Portugal emitiu mais autorizações de residência para cidadãos chilenos do que a Espanha nos últimos anos, uma tendência que se intensificou desde a eliminação do programa espanhol.
Isso demonstra que indivíduos de alto patrimônio líquido no Chile priorizam jurisdições que combinam flexibilidade em matéria de imigração, vantagens fiscais e segurança jurídica. Portugal atende a esses critérios, reforçando sua posição como o destino preferido na Europa Ocidental para investimentos em planejamento familiar, patrimonial e sucessório.
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