Outubro 24, 2025

A nacionalidade italiana pode ser perdida por “não exercê-la”?

A cidadania italiana por descendência é um dos direitos mais desejados por pessoas com raízes na Itália. No entanto, um projeto de lei recentemente proposto pode mudar isso. De acordo com essa proposta, aqueles que não mantiverem um "vínculo efetivo" com a Itália poderão perder a cidadania, mesmo sem cometer um delito ou renunciar a ela voluntariamente.

Essa alteração legislativa afeta particularmente os cidadãos nascidos no exterior e as novas gerações de italianos por descendência. A seguir, analisamos o que essa possível modificação implica, suas consequências e como manter a cidadania italiana por descendência de forma segura.

A legislação atual relativa à perda da cidadania italiana.

Atualmente, a Lei 91/1992 regulamenta as circunstâncias em que uma pessoa pode perder a cidadania italiana. Esta legislação reconhece cinco causas principais:

  • Pedido de demissão voluntária caso você resida permanentemente em outro país.
  • Aquisição de cidadania incompatível, no âmbito da Convenção de Estrasburgo.
  • Revogação da adoção que originou a cidadania.
  • Aceitação de cargos públicos estrangeiros, quando estes forem incompatíveis com a nacionalidade.
  • Colaboração com um estado inimigo em caso de guerra.

Até então, a passividade ou a "falta de exercício" da cidadania não eram motivos para perda de direitos.

O novo projeto de lei: Será que se perdeu por inatividade?

O projeto de lei 1450, apresentado pelo governo de Giorgia Meloni em abril de 2025, propõe a introdução de um sexto motivo para a perda da nacionalidade: a falta de exercício dos direitos e deveres cívicos por pelo menos 25 anos.

Caso aprovada, a medida poderá permitir que cidadãos italianos nascidos no exterior e com dupla cidadania percam a nacionalidade italiana por descendência se não mantiverem vínculos efetivos com a República Italiana.

O que significa "link efetivo"?

O texto define um vínculo efetivo como a realização de determinadas ações, tais como:

  • Cadastre-se e mantenha suas informações atualizadas no AIR (Anagraphe degli Italiani Residenti all'Estero).
  • Vote nas eleições italianas, mesmo estando no exterior.
  • Renove ou utilize o passaporte italiano como documento válido.

A omissão em realizar qualquer uma dessas ações durante 25 anos pode ser interpretada como falta de vínculo, resultando na perda automática da cidadania.

O voto vai se tornar obrigatório?

Legalmente, na Itália, o voto não é obrigatório nem sujeito a penalidades por abstenção. No entanto, o novo projeto de lei propõe que o voto possa se tornar uma prova fundamental para demonstrar vínculo com o Estado.

Isso significa que o exercício do direito de voto — embora não seja obrigatório — se tornaria um mecanismo para preservar a cidadania.

Quem seria o mais afetado?

Os principais afetados por essa reforma seriam:

  • Pessoas que obtiveram a nacionalidade italiana por descendência e não a exerceram ativamente.
  • Cidadãos que não se registraram no AIRE ou não participaram das eleições.
  • Filhos e netos de italianos nascidos no exterior cuja documentação não foi registrada na Itália.
  • Portadores de passaportes vencidos ou que nunca renovaram ou utilizaram o documento.

Como manter a cidadania?

Diante dessa possível mudança na legislação, é essencial adotar medidas preventivas:

  • Registre o nascimento no registro civil italiano o mais breve possível.
  • Cadastre-se no AIRE e mantenha suas informações atualizadas.
  • Participar em eleições a partir do estrangeiro.
  • Renove e utilize seu passaporte italiano regularmente.

Essas ações não apenas fortalecem os laços com a Itália, mas também garantem o direito de manter a nacionalidade italiana por descendência.

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